Setembro 18, 2017

História da LAAC

A Liga dos Amigos de Aguada de Cima, nasce naturalmente nos anos 60 em tempos de isolamento e dificuldades, em Março de 1966.

Foram seus primeiros dinamizadores José Vicectro e as professoras Maria Angélica e Lucília do Cristo, a estas figuras se agregaram outras com juventude e disponibilidade e assim nos três primeiros anos as ações desenvolvidas dirigiram-se pontualmente aos mais necessitados e principalmente na altura de Natal, com a distribuição de cabazes aos mais pobres.

Mas foi em 1969 que José de Almeida Vicectro sensibilizou e incentivou jovens estudantes universitários a ajudarem a criar uma consequência de atuação mais contínua planeada e programada. E começou tudo a aparecer: o emblema (inspirado no logótipo da Associação Académica de Coimbra e pela feliz ideia dum desses estudantes (que hoje assina este texto), em Março de 1969, quando em cartolinas, com marcador preto, fez quatro esboços, sendo um deles o que foi aproveitado para o emblema, para ornamentação das faces da tômbola, que foi criada pela LAAC, que em dia de Festa das Almas se fez para angariação de fundos destinados à colónia de Férias); os órgãos Sociais e a definição estatutária.

LAAC

A rentabilização da Juventude Estudantil reforçada pelos Ex-Militares e Jovens empreendedores que com novas profissões e ocupações, diferentes das ligadas tradicionalmente à agricultura, deu origem à constituição de objetivos que se foram redimensionando conforme as necessidades da freguesia. A colónia de Férias de Verão, para crianças carenciadas, e a realização de certames culturais e de concursos de Vestido de Chita foram realizações de marca, até meados da década de 70. Juntamente com a participação em Torneios de Futebol de Salão, em Sangalhos, e em torneios de futebol entre lugares da freguesia, no espaço de feira nas Almas da Areosa.

A chegada do 25 de Abril trouxe mais irreverência com a juventude e em 1976 teve até um jornal até ao seu nº12, o AQUA LATA, composto e impresso na ARTIPOL em Aguada de Baixo, que teve como corpo diretivo e redatorial:

Diretor - A. Celestino Almeida; Subdiretor – Miguel O. Baptista; Administrador – Augusto Abrantes e Castro; Chefe de Redação – Joaquim Augusto A. De Almeida; Redatores – Amílcar Santiago, Nelson Neves de Almeida, António Correia Abrantes, Nelson Abrantes, José Casimiro Ferreira Santiago, Alexandre Ferreira Santiago, João Armando, Fernando Almeida, Carlos Alberto F. Pereira, José Alexandre Estima Coelho, Alcides Pereira da Silva, Jorge Neves e José António Clemente.

Os tempos de mudança ideológica e atrevimento na discussão dos problemas sociais criaram tensões que deram origem quase à extinção da Associação, por proposta de sócios mais conservadores. A LAAC não foi por acaso extinta, em Assembleia Geral realizada no café do ISAíAS, na Vila, em 30 de Abril de 1976 por decisão de dez associados que constituíram uma Comissão Administrativa.

 “O Conselho dos 10”, assim definida, a Comissão administrativa foi constituída por: Albano de Castro Almeida, José Carlos P. Almeida, Júlio Garruço, Flávio de Jesus e Santos, António Celestino P. de Almeida (Presidia a reunião, como Presidente da Assembleia Geral, onde foi proposta a dissolução…e depois foi escolhido para a ela (Comissão Administrativa) presidir, por unanimidade), António de Jesus, Carlos Abrantes, António Correia Abrantes, Serafim Almeida Alexandre, Joaquim Martins.

A grande realização desta Comissão foi a homenagem a António Baptista, ciclista de Aguada de Cima, quando da passagem do 20º aniversário da sua morte, foi ciclista do Sangalhos, que tinha falecido em prova em 19/7/1958. Esta realização, com o melhor pelotão nacional, levada a cabo, nas ruas de Aguada de Cima com passagem nas freguesias vizinhas, com a ajuda do Sangalhos Desporto Clube e do ex-ciclista Alves Barbosa, na altura o expoente máximo da história do Sangalhos e do ciclismo em Portugal, pode ter sido a certificação de competência e capacidade para a Comissão Administrativa, que foi salvadora da LAAC, e depois fomentadora do futuro que é hoje desta associação.

Esta juventude disponível para as respostas de futuro, abriu a porta, sucessivamente para a incorporação do Futebol (disperso por três equipas da freguesia Grupo Desportivo Aguadense, primeiro, e depois continuado por União Operária e Centro Recreativo das Almas -CRA) e a incorporação de respostas sociais que, entretanto, tinham sido criadas, de forma privada por duas jovens (Helena Baptista e Lurdes Martins) dirigidas às crianças e dando origem posteriormente à creche.

A regularização estatutária do funcionamento dos órgãos sociais foi conseguida ainda na década de 70. A partir desta regularização mantiveram-se as tradicionais e estatutárias funções. A organização estatutária está feita com base num corpo comum de órgãos sociais e corpos gestores e administrativos por cada secção e com autonomia administrativa e financeira, uns dos outros, e apenas dependentes dos órgãos gerais centrais.

Com a reposição da ordem estatutária depois da realização, novamente, de eleições formaram-se e cresceram as Secções que hoje conhecemos.

Na LAAC passou a haver a atividade cultural, desportiva (rapidamente tomada pelo futebol que partindo da 3ª Divisão Distrital chegou, em três anos, à Primeira Distrital) e de Assistência Social com um rápido aumento da amplitude de Respostas Sociais e de estruturas com a construção dos equipamentos necessários. Mas durante a década de 80 para além da construção do Pavilhão Gimnodesportivo, que deu origem à criação da Secção respetiva (já na década de 90), esta começou a desenvolver a prática de Andebol e também Futsal com a realização de torneios entre empresas e entre Freguesias.

As atividades desportivas, e primeiro o futebol, divulgaram e promoveram a LAAC por todo o Distrito de Aveiro. A secção de Assistência Social implantou na freguesia de Aguada de Cima e no Concelho de Águeda com a sua função de IPSS. A secção Cultural criou uma escola de música e hoje com instalações próprias tem já frequência merecedora de elogios com um Grupo Coral e fomento de atividade musical da qual esperam ainda grandes desenvolvimentos.

Hoje a obra da LAAC é constituída por Assistência Social, Pavilhão Gimnodesportivo, Piscina, Cultural e Futebol ocupando uma área coberta de mais de 10 mil metros quadrados e criando no lugar do Engenho uma explosão urbanística que descentraliza já a freguesia e por isso ali foi construída a EB2,3 de Aguada de Cima, servindo outras freguesias vizinhas. Aliás esta Escola tem um protocolo com a LAAC para uso do seu Pavilhão Desportivo.

A Liga dos Amigos de Aguada de Cima tem uma implantação social abrangente na freguesia e o seu funcionamento diverso e complementar é hoje exemplo elogiado, no Concelho de Águeda e Distrito de Aveiro.